Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

avozinho, conta-nos como foi (1)

Conto sim senhor, meus queridos netinhos, com todo o prazer. Sabem que a memória do vosso avô às vezes lhe prega partidas, que tenho alguma tendência para misturar os nomes das pessoas e as histórias que se repetem. Mas garanto-vos a fidelidade das citações, tenho-as aqui todas nas minhas fichas de papel, faço colecção. Pelo que, parafraseando Costa-Gavras no filme Z, a contar as provocações de rua que prepararam a ditadura dos coronéis,  “qualquer semelhança com a realidade foi deliberada, não é coincidência”. Por falar em Costa-Gavras, eu já vos contei a história do “L’Aveu” que…?

- Umas cinquenta vezes!

 É a história de um dirigente comunista checoslovaco que cai em desgraça e para ajudar o partido confessa os piores crimes ao Ministério Público do partido, após torturas requintadas, que os americanos cinquenta anos depois, meninos de coro, terão tentado imitar com parco sucesso em Guantanamo,  eram piores que a PIDE aqueles cabrões!

 - Já sabemos, avô, cuidado com a língua!

Pois neste recanto da Ibéria durante dezenas de anos ninguém soube, nem quis saber, da natureza estalinista, bárbara, sanguinária, de certos “educadores do proletariado”, professores em insurreição permanente, e depois queixavam-se dos alunos, conduzidos em manada pelos “vaqueiros da democracia” à moda da Coreia do Norte… Eu já vos contei como era a Coreia do Norte naquele tempo?

- Não te enerves, avô, o coração não aguenta.

Não me enervo. A minha história começa no começa num 16 de Fevereiro, com duas notícias de fim-de-semana que vão ter grande impacto no agudizar das tensões.

A primeira foi que o o liberal Príncipe Lvov (tomará outras identidades a seguir) acaba de ser plebiscitado pelas suas tropas (não terá sido uma intentona?  houve batota?  por que carga de água ninguém lhe disputou o lugar?) para as funções de candidato potencial a líder de todos as Rússias, se não me engano. Estranho, hem! Nas circunstâncias em que o plebiscito ocorreu foi e de que maneira. Eu já vos conto o resto.

A segunda grande notícia daquele fim-de-semana ameno, começou logo a falar-se do aquecimento global, juro-vos, foi que “os professores” acabavam de pôr o Ministério da Educação em tribunal porque estavam a ser pressionados (sic!) para apresentar as suas autoavaliações, como era de Lei, coitadinhos deles.

- E era crime na altura lembrar-lhes que o não cumprimento da Lei tinha consequências?

Bom, isto é, dependia dos juízes a quem o caso calhasse. Vocês já passaram no túnel do Marquês, não passaram? Pois talvez não saibam que custou mais dez milhões do que o previsto porque um juiz mandou parar as obras, a requerimento de um cidadão advogado e futuro vereador, que achava que tudo aquilo constituía um perigo danado.

Enfim, continuamos amanhã, o folhetim vai começar,  faltavam 255 dias, já não é muito tempo, para o estoiro da boiada.

publicado por JTeles às 14:35
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