Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Casos BPN e BPP apontam para nacionalização da banca

Sucedem-se as revelações escandalosas no caso BPN. Agora é António Coelho Marinho, o mais antigo dos administradores do Banco, a declarar com toda a descontracção que recebia como parte do seu salário quantias em dinheiro, sobre as quais  não assinava recibos, nem pagava impostos. E que assim faziam todos.

 
Há dias foi a aflitiva audição de Francisco Comprido, a desmentir Dias Loureiro, e a não explicar o sumiço de 60 e tantos milhões de um fundo da SLN de que era presidente. Onde é que isto vai parar? E ainda não começou a explicação sobre o que se passou no BPP e a quem aproveitava aquele esquema.
 
Facto é que há precedentes: o BIP, em 1974, em relação ao qual alguém escreveu:

 

O caso BIP foi como que o detonador das nacionalizações. O BIP era o caso típico da actividade especulativa e fraudulenta e da degradação moral do capitalismo. (…) O grupo Jorge de Brito constituiu um monstruoso aparelho de empresas, recolhendo milhões de contos e fazendo-os desaparecer em benefício dos senhores do capital. 

 

Quando o Estado intervém no BIP (12-10-1974) para o salvar da falência, a operação custa milhões de contos dos dinheiros públicos.

 

O caso do BIP, e toda a podridão do sistema financeiro que o controlo dos trabalhadores vai pondo a nu, reforça as reclamações no sentido da nacionalização da banca, que acabará por ter lugar em 14 de Março de 1975.

 

Sabem quem escreveu isto? Cunhal em pessoa. E sabem que "as reclamações no sentido da nacionalização de toda a banca comercial" voltaram a fazer-se ouvir? Porque, como diz Jerónimo de Sousa, a semana passada, 

 

A moeda e o crédito, bens públicos, tal como o ar, a água e a energia, devem estar ao serviço do desenvolvimento económico, ao serviço da melhoria do nível e qualidade de vida dos trabalhadores e das populações, ao serviço do desenvolvimento humano e de um crescimento sustentável.


Fica assim mais evidente a importância deste sector estratégico ser predominantemente público. Como tal o PCP defende a nacionalização definitiva de todo o sector da banca comercial – actividade bancária que recolhe depósitos e concede crédito – e dos seguros.

 

Digo-vos uma coisa: cada vez que termina mais uma sessão do inquérito ao BPN no Canal Parlamento eu dou por mim a pensar se há outra maniera de conter a ganância dos banqueiros que não seja a nacionalização total da Banca. Haverá? Custa-me muito admitir que o PCP é capaz de ter alguma razão neste domínio. Ou não?

 



antes publicado por JTeles no corta-fitas a 20 de Março de 2009

publicado por JTeles às 11:16
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