Domingo, 26 de Abril de 2009

Leituras de domingo

  • Ó pátria, sente-se a voz, que há-de guiar-te à vitória: Tendo em conta o grande fervor patriótico, com que esta manhã a generalidade dos media recebeu a canonização de Nuno Álvares Pereira, talvez faça falta sobre o assunto ao fim da tarde um discreto olhar ateu, se com “alegria e humildade” estiver interessado em saber d'o nosso santinho   alguns factos perdidos entre as brumas da memória.

 

  • Emídio Rangel, O Cabaret da Coxa, no Correio da Manhã: "O Jornal Nacional de Sexta-feira da TVI) é um espaço onde, por regra, se desrespeitam os códigos profissionais do jornalismo: há um desprezo sistemático pelo exercício do contraditório, há ‘notícias plantadas’ que são infâmias embrulhadas como factos provados. Aquele espaço, em muitas circunstâncias, faz mais lembrar ‘O Cabaret da Coxa’, tantos são os atropelos jornalísticos que nele se praticam, ao tentar impor um modelo sensacionalista, tendencioso e de mau gosto." (Via Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos).

 

  • Miguel Sousa Tavares, Essa coisa tão simples: liberdade ( in Expresso, link para assinantes): "Já aqui escrevi, há quinze dias, sobre o que penso do caso Freeport e da posição em que ele coloca José Sócrates. Escrevi que, pessoalmente, acredito na sua inocência, mas não abdico de ver tudo esclarecido, sem margem para qualquer dúvida. O que eu não entendo é a leviandade de tudo isto: um homem é publicamente suspeito do pior dos crimes políticos e a coisa arrasta-se, meses, anos, em fogo lento, sem que ele seja ilibado ou acusado e tendo ainda de governar o país e enfrentar eleições sob esse peso. Não pode desistir, porque seria como que uma confissão de culpa; não pode continuar em igualdade de circunstâncias com os seus adversários políticos, porque há sempre essa terrível suspeita pendente sobre ele. Não pode ficar quieto e calado, porque alimenta as suspeitas; não se pode defender, porque é uma ‘ameaça’ e uma ‘pressão’. O que pode um cidadão, que tem o azar de ser primeiro-ministro de Portugal, fazer num caso destes e enquanto espera que a Justiça cumpra o seu papel?
    Há um tipo — que tem o mesmo apelido que eu e que escreve semanalmente no “DN”, onde se especializou na ofensa fácil — que escreveu que Sócrates falar de moral é o mesmo que Cicciolina falar de virtude, ou coisa que o valha. O cidadão José Sócrates, sentindo-se ofendido (como qualquer um de nós se sentiria), põe um processo ao ofensor. Tem esse direito? Não: é o primeiro-ministro a intimidar um ‘jornalista’. E o ‘jornalista’ vira mártir da liberdade de imprensa na praça pública. Fala-se em “ameaças intoleráveis”, da liberdade em risco, da heróica e antiquíssima luta da imprensa contra o poder, do “jornalismo de investigação” contra as pressões políticas.

    Liberdade? De imprensa? Ora, vão pastar caracóis para o Sara! Eles sabem lá o que é a liberdade! Sabem lá o que isso custa a ganhar!” (Via O Jumento e Câmara Corporativa ).

     

     

  • Daniel Proença de Carvalho,  Tumulto justicialista , in Diário Económico: “No tumulto justicialista que está a instalar-se, onde se situa o PSD, cuja génese e crescimento se fizeram nos valores da liberdade, na defesa dos direitos individuais e na ascensão social pelo mérito e esforço? Na maioria visível dos seus dirigentes ou na posição de Rui Rio? Quem vai exercer o poder? Os que elegemos, ou as televisões e o Ministério Público? E a pergunta derradeira e provocatória: existe poder político em Portugal?” (Via Câmara Corporativa ).

 

 

 

 

publicado por JTeles às 18:45
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3 comentários:
De maria sefras a 26 de Abril de 2009 às 20:55
Isto é cada Santo que "valha-me Deus".
Emídio Rangel "em cheio"
Miguel Sousa Tavares "com eles no sitio". Agora quero ver se o Moniz também os tem.


De JTeles a 26 de Abril de 2009 às 23:03
Correcto e afirmativo. Só não entendo o que pretende do Moniz? Que responda ao Rangel ? Mas ele não gosta do contraditório, só é bom mesmo a falar sozinho, e é evidente que o Rangel não se ficava. Que expulse da TVI o MST ? Vontade não lhe deve faltar. Mas os espanhóis deixam? É que o Miguel tem público, é das poucas coisas boas que a TVI tem.


De maria sefras a 28 de Abril de 2009 às 09:05
Pois, caro José, acabou de confirmar aquilo que eu imaginava.


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