Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

por favor deixem-nos bicicletar

Conhecem aquela frase do Tocqueville, “ah como era doce viver antes da Revolução!”? Digo o mesmo: tenho saudades das coisas como elas eram naqueles dias ensolarados de Fevereiro, em que só apetecia encher o peito de ar, pegar na bicicleta e ir passear para o Paredão, 2,4 km à beira-mar, da Praia da Azarujinha à Rua Direita de Cascais, a ver os suecos e as suecas ao comprido nas praias a apanhar sol – nunca têm frio estes mânfios! –, a sorver a maresia, a gostar da cara das pessoas, a querer ser amável com toda a gente.

 Assim  era, antes da Revolução, prima de la revoluzione, como no filme do Bertolucci. Entretínhamo-nos por aqui a tentar irritar um pouco o Presidente da Câmara de Cascais que, contrariamente ao de Oeiras, não deixava andar de bicicleta nunca no Paredão. Que de Outubro a Abril, pelo menos, não há perigo nenhum, para ninguém, em qualquer dia da semana: os raros passeantes vêem-se ao longe, um ciclista precavido passa ao largo, e se houver necessidade, alguém que de repente resolva atravessar-se-lhe no caminho, é ele que põe o pé no chão ou vai malhar com os… burros na água! Nos meses de Verão ainda vá, proíbam-se as bicicletas, das 9 da manhã às 9 da noite, sobretudo aos fins-de-semana. No resto do tempo, senhor Presidente Capucho, “por favor deixem-nos bicicletar”.

Temos de aproveitar. Que vem aí a Revolução, é inelutável, a acumulação capitalista é cada vez maior, as legiões de explorados aumentam e desesperam

 – tem piada que o desemprego em Dezembro parece não ter subido tanto como se esperava, anda para aí alguém a tentar a contrariar as leis científicas do marxismo-leninismo! –

mas enfim desesperos não se discutem. A cada semana que passa, e geralmente à sexta-feira, a manchete que mais vende costuma ser: “realiza-se hoje em Lisboa a maior manifestação desde o 25 de Abril”. Por falar nisso, vi um anúncio de uma manifestação de forças de segurança, creio que de guardas prisionais (isto está cada vez melhor!)

 – fazem o quê se as reivindicações não forem satisfeitas? deixam fugir os presos?  

 mas não era para esta sexta-feira. Falham uma? Ah, estão aqui a dizer-me, esta não pôde ser que é véspera de carnaval.

Vamos, camarada, mais um passo: é agora, está na hora, da Ministra se ir embora! Depois lá mais para a frente, talvez nas “Jornadas de Julho”, num Congresso de todos os sindicatos e comissões de trabalhadores, refinamos as exigências: fora com a canalha que só manduca, todo o poder a quem educa!

E quem educa quem é quem é? Ponham os olhos no politburo do BE: oito professores, dois jornalistas – é essa a proporção.

publicado por JTeles às 03:02
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