Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Cuidado com eles, alguns colegas são de fugir

Gostei de ouvir o Bastonário Marinho Pinto (gosto sempre, um bastonário assim é o orgulho dos advogados!) a explicar todas as protecções constitucionais de que beneficiam os magistrados do Ministério Público e a notar como é esquisito que alguém tão protegido, com um tão vasto arsenal de garantias à sua disposição, se possa sentir vítima de pressões.

 

Tanto que tenha ido a correr queixar-se ao Sindicato – isto sou eu a falar! Tanto que o Sindicato se tenha sentido obrigado a passar por cima do Procurador-Geral da República para ir queixar-se ao Presidente da República. Tanto que o Presidente da República tenha achado, seguramente, que era um caso de força maior e por isso tenha recebido os magistrados-vítimas.

 

Tanto que um inspector do Ministério Público tenha acabado por confirmar as suspeitas de pressões. E seja agora o mesmo inspector, tão imparcial, seguramente, a presidir ao processo disciplinar ao já confirmado, na comunicação social, autor de tão miseráveis quanto difíceis pressões!

 

 Assim vai a Justiça, ou como diria Proença de Carvalho, assim vai o “tumulto justicialista”. E se as pressões não tivessem ultrapassado o baixo nível de “conversas entre colegas” ? Digamos, “conversas entre colegas” deliberadamente mal interpretadas, e usadas como pretexto para queimar um colega que foi secretário de Estado de um governo do PS ? Que eu não acredito em bruxas...

 

Se, eu disse se, o medo que eu tenho deles! E disse se, porque eu próprio vivi situações em que “conversas entre colegas”, descontraídas, inocentes, a brincar, acabaram no dia seguinte do conhecimento do Partido, deturpadas, pasto e pretexto de ataques pessoais, um autêntico bullying, como agora se diz.

 

Conto-lhes só isto: trabalhei na RTP de 1976 a 1988. E, como não tenho nada a esconder, logo nos primeiros tempos contei na redacção Telejornal como na década de sessenta tinha sido militante maoísta, andara por terras de França e da Albânia. (Estivera no grupo daqueles que o “Avante!” denunciara à repressão, num célebre editorial: “Cuidado com eles!”).

 

Pois no dia seguinte Mário Castrim, um notável crítico televisivo afecto ao PCP, a propósito de uma qualquer reportagem sobre uma proclamação sindical, em que eu procurara manter algumas distâncias, “revelava ao mundo” que eu “era da AOC” “anticomunista profissional”, perigosíssimo, um “gajo” a abater.

 

Começava o bullying, até tive direito a uma intervenção insultuosa na Assembleia, e por isso protegida pela imunidade parlamentar, por parte do deputado operário Severiano Falcão. Repetidamente, “eu era da AOC”, “um provocador”, os militantes “anónimos” que quase todos os dias me reconheciam no autocarro, nos cafés, à porta de minha casa, repetiam os epítetos de Castrim, informavam que “se um dia me encontrassem a jeito numa esquina..”.

E de “provocador”, passei a “feio”, sem imagem para aparecer na pantalha, “repelente”, parvónio de Bijeu, que até falava achim…Só não me chamaram ignorante.

 

Uns anos depois, devo dizer, tanto Mário Castrim como Severiano Falcão, mais tarde presidente da Câmara de Loures, me manifestaram expressamente consideração humana e profissional, no que entendi como reparação suficiente, embora tardia. O que não mudou, e importa sublinhar aqui, é que hoje sei quem, sendo meu colega de profissão, “meu camarada”, como dizíamos na altura entre jornalistas, e aparentemente meu amigo, ia contar todos os dias no Partido, e deturpar, as conversas privadas, descontraídas,  entre colegas, a brincar, que tínhamos muitas vezes na redacção do Telejornal.

 

Sei quem foi. Anda por aí e voltei a encontrá-lo em comentários nos blogues, aconteceu no corta-fitas, a repetir as mesmas alarvidades que ia contar na Soeiro Pereira Gomes, há 30 anos, como se a queda do Muro ainda não tivesse acontecido.

 

Em suma, algumas “conversas entre colegas” podem ser muito perigosas, digo-vos eu. Sobretudo se.. com colegas militantes, organizados em "réseau", com poder, apaparicados pelos media sedentos de escândalos, para quem os chamados ideais prevalecem… sobre tudo e todos. Eu disse se, o medo que eu tenho deles!

 
publicado por JTeles às 19:19
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7 comentários:
De maria sefras a 13 de Maio de 2009 às 21:43
Caro jteles:
Pois é coitadinhos dos M do M. P., tão cheios de trabalho e tão sujeitos a pressões. Eu é que não quero nada com eles, tenho-lhes um medo , que me pelo....


De anónimo a 13 de Maio de 2009 às 21:54
Colegas desses, infelizmente , é o que há mais. E "amigos" também, chama-se a isso dor de corno. Quanto aos Magistrados, já pouca gente os respeita, agora medo.... tenho muito.


De Tiago Madureira a 14 de Maio de 2009 às 09:10
Muito bom!!! Gostava de ver alguém na Assembleia a levantar o problema do MP estar ao serviço dos interesses "jornalisticos" da Manuela Moura Guedes


De JTeles a 15 de Maio de 2009 às 11:28
Eu também. Mais: gostava que a Assembleia, que tem poderes de revisão constitucional a que o PR não se pode opor, alterasse de alto a baixo o estatuto dos magistrados. Os quais já que respondem apenas, individualmente, perante as suas consciências não deviam poder sindicalizados. Os sindicatos de magistrados, que não passam de focos de agit-prop, para os quais vale tudo até a delação barata, como referiu António Arnaut , são um cancro estranho ao corpo da democracia, que deve ser extirpado.
Também defendo que os actuais procuradores-gerais adjuntos sejam eleitos e responsabilizados pelo voto popular. Se fossem, nos casos BPP e BPN , já teriam sido instaurados processos de recuperação do património dilapidado.


De Anónimo a 14 de Maio de 2009 às 15:05
Tenho uma dor de costas terrível. Será que o Presidente da República me recebe?


De JTeles a 15 de Maio de 2009 às 11:35
Se disso ele puder retirar alguma vantagem para o processo de recandidatura em curso...


De Anónimo a 15 de Maio de 2009 às 16:23
Ele curando-me isto, e eu prometo que desta vez não voto no, se a memória não me falha, "Vão roubar para a estrada", como votei nas últimas presidenciais.


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